quarta-feira, 20 de junho de 2012
O pacto contra Serra
terça-feira, 19 de junho de 2012
10 factos chocantes sobre os EUA
- Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. Em cada 100 americanos 1 está preso1.
- Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias, foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo americano6.
sábado, 16 de junho de 2012
O dedo do Lula
A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getúlio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explícita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.
Blog do Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em Filosofia Política e doutor em Ciência Política pela USP
terça-feira, 1 de maio de 2012
O que mudou de 1987 pra cá?
Por que comemorar o Dia do Trabalhador?

sábado, 21 de abril de 2012
Medíocres e perigosos
Perfil do cidadão comum
O reacionário é, antes de tudo, um fraco. Um fraco que conserva ideias como quem coleciona tampinhas de refrigerante ou maços de cigarro – tudo o que consegue juntar mas só têm utilidade para ele. Nasce e cresce em extremos: ou da falta de atenção ou do excesso de cuidados. E vive com a certeza de que o mundo fora da bolha onde lacrou seu refúgio é um mundo de perigos, pronto para tirar dele o que acumulou em suposta dignidade.
Matheus Pichonelli
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Cachoeira e Dantas – é o todo. E demora a limpar
Nestes momentos de incerteza, o ansioso blogueiro recorre invariavelmente ao sábio Oráculo de Delfos.
– Oráculo, por favor me acuda ! A Globo diz que a culpa é toda do Agnello !
– Calma, meu filho. Quem é o Agnello ?
– O Governador de Brasília … Do PT.
– Roriz, Arruda e quem ?, pergunta ele, como se não soubesse quem é o Agnello.
– Agnello.
– Meu filho, em Brasília até o lago é falso.
– Mas, Oráculo, por favor, o que é isso tudo ? No que vai dar essa bafa-bafa ?
– Abafa, meu filho. A imprensa quer abafar.
– O que, Oráculo ?
– Tudo.
– Mas, como, tudo ?
– Porque está tudo comprometido.
– Como assim, Oráculo, não aumente o meu desespero.
– Calma, meu filho. Tome um chá de camomila.
– Não tomo chá, Oráculo. Prefiro tequilla.
– Meu filho, se você soma a Satiagraha com o Demóstenes, o Brasil inteiro está lá dentro. É uma coisa só ! É um Brasil só.
– É … pensando bem, sempre desconfiei disso. Daniel Dantas, empreiteira Delta. Tem uma lógica nessa loucura.
– O que você está vendo diante dos teus olhos é o processo como um todo. Não escapa nada, porque o conjunto é que está podre.
– Mas, Oráculo, não tem ninguém que preste ?
– Claro, claro que tem gente que preste. Mas, são os lírios da lama …
– Oráculo, não é bem assim, são os lírios …
– Meu filho, entenda o que eu estou falando: dentro da lama pode haver vida saudável. É difícil, mas pode, na borda.
– Mas, como sair dessa ?
– Não sei se há saída, nem sei é para já, se houver saída.
– Mas, o que está errado, Oráculo ?
– O sistema político, a forma de representação, a organização partidária e o financiamento das campanhas.
– Bom, Oráculo, aí você já quer reinventar o Brasil.
– Quem mandou perguntar ? E tem mais, viu ? O Judiciário. O Judiciário é a argila dessa massa fedida.
– Mas, como é que se sai dessa ?
- Vai demorar muito. Porque está todo mundo na roda. Eu te pergunto: quem não está no Daniel Dantas ou no Cachoeira ? Que partido ? Quem não tem o rabo preso ?
– A Folha !
– Como é que é ?
– Deixa pra lá, Oráculo.
– Veja uma coisa: não tem candidato a prefeito. Quantas grandes cidades do Brasil ainda não definiram o prefeito, quantas coligações já estão prontas ?
– E daí, Oráculo ?
– Porque esse sistema político aí é um sarapatel, uma misturança. Ninguém é de ninguém. Ou todos são de todos. Não tem coerência, partido. Aí, chega um Dantas, um Cachoeira, uma Delta … e ocupa o espaço. Abre a banca.
– Quem é a Delta, Oráculo ?
– Uma letra do alfabeto grego.
– Ah …
– E a imprensa também caiu na lama. Se misturou com os bandidos.
– Você acha ?, Oráculo, perguntou o ansioso blogueiro, como se soubesse a resposta.
– Veja, Globo, Estadao, Folha, não sobra nada. Não dá para ler mais nada.
– É o PiG, Oráculo.
– É o que ?
– Deixa pra lá, uma palavra inglesa. E a CPI, Oráculo ?
– O PSDB tem mais a perder que o PT.
– Por isso o PT quer tanto.
– Você faria o que ?
– Mas, a CPI vai resolver alguma coisa ?
– Vai.
– O que, Oráculo ?
– Melar o mensalão.
– Peraí, Oráculo, já ouvi isso em algum lugar …
– Mela, mas fica um pouco de lama na bainha da calça.
– Como assim, Oráculo ?
– Ora, meu filho, tenho mais o que fazer. Me dê licença.
Pano rápido.
Paulo Henrique Amorim



